Imagine que sobraram R$ 1.000 no fim do mês. A fatura do cartão está atrasada, a parcela do empréstimo pessoal vence na semana que vem e você fica ali, olhando para os dois boletos, sem saber qual pagar. Se pagar o errado, o dinheiro some e a dívida continua crescendo.

Essa dúvida é mais comum do que parece, e tem resposta. Aqui eu mostro qual dívida quitar primeiro com números de 2026, uma conta prática com R$ 1.000, os casos em que a ordem muda e um passo a passo para sair do aperto sem complicar a vida.

Qual dívida quitar primeiro: a regra dos juros

A regra básica é simples: o dinheiro que você usa para pagar uma dívida “evita” os juros dela no mês seguinte. Quanto mais cara a dívida, mais juros você evita por real pago. Então a ordem de pagamento segue o custo, e não o tamanho da parcela nem a data de vencimento.

Pense em duas torneiras pingando. Uma pinga um copo por hora, a outra pinga seis. Se você só tem uma mão livre, qual fecha primeiro? A que desperdiça mais água. Com dívida é igual: feche primeiro a que “vaza” mais dinheiro.

Quanto custa cada dívida em 2026

Os números do Banco Central mostram uma diferença enorme entre as modalidades. Veja as médias mais recentes:

ModalidadeTaxa média ao mêsTaxa média ao ano
Cartão de crédito rotativo (agosto/2026)15,18%cerca de 444,9%
Cartão de crédito parcelado (agosto/2026)9,34%cerca de 192,1%
Empréstimo pessoal não consignado (julho/2026)6,42%cerca de 111%
Consignado INSS (grandes bancos)cerca de 1,8%não informado

Para ter uma referência, a Selic está em 13,75% ao ano desde 16 de setembro de 2026, o que equivale a cerca de 1,08% ao mês. Veja as séries completas no site do Banco Central.

Um alerta importante: são médias. O seu contrato pode ter uma taxa maior ou menor, e é ela que vale. O número que mostra o preço final de verdade é o CET (custo efetivo total), que soma juros, tarifas e seguros. Pense nele como o preço final na etiqueta, e não só o valor da parcela. Peça o CET de cada dívida ao banco ou procure no contrato.

Cartão ou empréstimo pessoal: a conta na prática

Voltando aos R$ 1.000 que sobraram. Veja quanto de juros você evita no mês seguinte em cada opção, com as taxas médias acima:

Onde usar os R$ 1.000Juros evitados no próximo mês
Pagar a dívida do cartão no rotativo (15,18%)R$ 151,80
Pagar o empréstimo pessoal (6,42%)R$ 64,20
Diferença a favor do cartãoR$ 87,60 por mês

Ou seja, os mesmos R$ 1.000 rendem R$ 87,60 a mais por mês quando vão para o rotativo. Se a situação se repete por seis meses, são mais de R$ 500 que ficam no seu bolso, sem trabalhar um minuto a mais.

A regra do teto de 100% do cartão muda a ordem?

Desde 3 de janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 limita os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor original da dívida. Na prática, uma dívida de R$ 1.000 no cartão não pode passar de R$ 2.000. O teto vale para dívidas contraídas a partir dessa data e, segundo as fontes consultadas, não se aplica ao empréstimo pessoal comum.

Isso muda alguma coisa? Muda o pior cenário, mas não a ordem. Com juros de 15,18% ao mês, uma dívida no rotativo chega ao dobro em cerca de 5 meses. Já o empréstimo pessoal a 6,42% leva cerca de 11 meses. Ou seja, o teto não é desconto: é um limite para o estrago. Deixar R$ 1.000 virarem R$ 2.000 continua sendo um prejuízo enorme.

Dica prática: o teto não vale para qualquer dívida do cartão. Se você acha que o banco cobrou além do limite, peça o extrato detalhado e reclame no SAC. Sem solução, registre a queixa no Consumidor.gov.br.

Ordem sugerida para quitar suas dívidas

A tabela abaixo mostra uma ordem de prioridade baseada nas taxas médias. Use-a como ponto de partida e ajuste pelo CET do seu contrato:

PrioridadeTipo de dívidaTaxa média ao mês
1ºCartão no rotativo ou fatura em atraso15,18%
2ºCheque especial e crédito de loja ou financeiraConfira o CET
3ºFatura parcelada do cartão9,34%
4ºEmpréstimo pessoal sem garantia6,42%
5ºConsignado e empréstimos com garantiaA partir de cerca de 1,3% a 1,8%
ÚltimoCompras parceladas “sem juros” no cartãoSem juros explícitos

No fim da lista ficam as compras parceladas sem juros: elas têm custo zero declarado, então o mais barato é pagá-las no prazo combinado e usar o dinheiro para apagar as dívidas caras.

Avalanche ou bola de neve: qual método escolher

Existem dois métodos famosos para decidir a ordem. Veja a diferença:

MétodoComo funcionaQuando escolher
AvalanchePaga primeiro a dívida com os maiores jurosQuando as taxas são muito diferentes, como cartão e empréstimo pessoal; economiza mais dinheiro
Bola de nevePaga primeiro a dívida de menor saldoQuando você precisa de motivação com vitórias rápidas e as taxas são parecidas

Como a diferença entre cartão (15,18%) e empréstimo pessoal (6,42%) é grande, a avalanche costuma ser a melhor escolha. Se uma dívida pequena puder ser zerada de uma vez, vale quitá-la para ganhar fôlego e reduzir o número de boletos, desde que não seja a mais cara.

Quando a ordem muda: 4 exceções

A regra dos juros vale na maioria dos casos, mas há situações em que a ordem muda:

  • Dívida com garantia: se o empréstimo foi feito com o carro ou o imóvel como garantia, atrasar pode custar o bem. Mantenha essas parcelas em dia mesmo que os juros sejam menores;
  • Contas essenciais: aluguel, água, luz e comida vêm antes de qualquer dívida bancária, porque cortar esses serviços pesa mais do que os juros;
  • Desconto na negociação: dívidas atrasadas há mais tempo costumam ter descontos maiores, então negociar uma dívida antiga à vista pode render mais do que quitar uma dívida recente;
  • CET diferente da média: se o seu empréstimo pessoal cobra mais do que o seu cartão, a ordem inverte. Por isso, olhe sempre o contrato.

Passo a passo para quitar as dívidas

Primeiro o diagnóstico, depois o tratamento. Siga esta sequência:

Passo 1: liste todas as dívidas com o CET

Monte uma lista com credor, saldo, parcela e taxa de cada dívida. Para não esquecer nenhuma, consulte o Registrato, do Banco Central, que mostra as operações de crédito em seu nome.

Passo 2: pague o mínimo em todas e concentre o resto na mais cara

Mantenha as parcelas mínimas em dia para não gerar multa e negativação. Tudo o que sobrar vai para a dívida mais cara. Quando ela acabar, o valor que você pagava nela passa para a próxima da lista, e a “avalanche” ganha força.

Passo 3: negocie antes de pagar

Peça a proposta à vista e a parcelada, e compare o CET. Se a dívida do cartão já está em atraso, veja como negociar em como negociar dívida de cartão de crédito e acompanhe o passo a passo completo em como sair das dívidas e quitar o cartão de crédito. Se a dívida é antiga e de até R$ 10 mil, vale conhecer o Desenrola 3.0.

Passo 4: use o 13º para acelerar

O 13º é a chance de quitar a dívida mais cara de uma vez, muitas vezes com desconto à vista. Calcule quanto vai receber no guia do 13º salário 2026.

Passo 5: pare de criar dívida nova

De nada adianta quitar o rotativo e voltar a usá-lo no mês seguinte. Pague a fatura integral, use o cartão só até o limite que cabe no seu orçamento e siga as dicas de como usar o cartão de crédito sem cair em dívidas. Para saber quanto realmente sobra por mês, comece pelo guia de como controlar o orçamento.

Vale pegar um empréstimo para quitar o cartão?

A ideia tem lógica: trocar uma dívida a 15,18% ao mês por outra a taxa menor reduz os juros. Se o empréstimo cobrar 6,42% ao mês, por exemplo, a economia por mês é grande. Mas só faz sentido se três condições forem atendidas:

  • o CET do novo empréstimo é realmente menor do que o da dívida que será quitada;
  • a parcela cabe no orçamento sem apertar as contas essenciais;
  • você não vai voltar a usar o rotativo do cartão depois.

Sem essas três condições, você só troca uma dívida por duas. Se existir a opção de um empréstimo com garantia ou consignado, as taxas costumam ser bem menores, mas lembre-se do risco da garantia.

Perguntas frequentes sobre qual dívida quitar primeiro

Qual dívida quitar primeiro: cartão ou empréstimo pessoal?

Na maioria dos casos, o cartão, principalmente se estiver no rotativo, que cobrava em média 15,18% ao mês em agosto de 2026. O empréstimo pessoal cobrava cerca de 6,42% em julho. Confira sempre o CET do seu contrato.

Qual é a dívida mais cara do Brasil?

O crédito rotativo do cartão, com taxa média de 15,18% ao mês (cerca de 444,9% ao ano) em agosto de 2026, segundo o Banco Central.

O que é o método avalanche de dívidas?

É pagar o mínimo de todas as dívidas e concentrar o dinheiro extra na que tem os juros mais altos. Quando ela acaba, o valor liberado vai para a próxima mais cara.

A dívida do cartão pode ficar maior que o dobro?

Para dívidas contraídas a partir de 3 de janeiro de 2024, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar de 100% do valor original, conforme a Lei 14.690/2023.

Vale a pena pagar o mínimo da fatura do cartão?

Não. O saldo restante cai no rotativo, a modalidade mais cara do mercado. Pague o valor integral sempre que puder ou parcele a fatura em condições que você compare antes.

Posso pegar um empréstimo para pagar o cartão?

Pode, se o CET do empréstimo for menor, a parcela couber no orçamento e você parar de usar o rotativo. Sem isso, a dívida só muda de lugar.

Qual é o CET e onde encontro o meu?

CET é o custo efetivo total: juros, tarifas, seguros e impostos somados. Ele aparece no contrato e na simulação do empréstimo, e o banco é obrigado a informar.

Seu próximo passo

Hoje mesmo, monte a lista das suas dívidas com saldo, parcela e taxa de cada uma. Marque com um destaque a mais cara e direcione para ela tudo o que sobrar este mês. Só de ter a ordem definida, você já está mais perto de sair do aperto.

E você, qual dívida está no topo da sua lista? Conta nos comentários, que eu leio todos.

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Coach Financeiro e educador com mais de uma década de experiência. Ajudo você a dominar seu dinheiro com estratégias realistas, sem termos complicados. Acredito que finanças saudáveis começam com autoconhecimento e planejamento — e estou aqui para guiar cada passo. ✨

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