A paixão acabou. O amor não existe mais. Está tudo terminado. A relação chegou ao fim com uma única palavra: divórcio. Cada um para o seu lado, recomeçar. Nos últimos anos, o número de divórcios disparou no país. Foram 243.224 em 2010, segundo o IBGE. Para estes brasileiros e outros tantos que se separaram em 2011 e agora em 2012, o recomeço não é só emocional, é financeiro também.
Já que o orçamento dos dois terá de dar um reload, os economistas e analistas financeiros recomendam que as duas partes tentem deixar um pouco as emoções de lado e comecem a fazer contas. “É um momento delicado do ponto de vista das finanças. É preciso ter clareza nas decisões”, diz Luiz Maia, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco e do City Business School, e autor do blog Educação de Bolso (blogs.diariodepernambuco.com.br/educacaodebolso).
Nos divórcios consensuais (75,2% em 2010), basta estabelecer os termos do acordo com a orientação de um advogado. Sai mais barato do que partir para o processo litigioso. “Havendo um advogado conhecido ou alguém que possa indicar, é melhor. A vida fica mais fácil quando a separação é amigável”, reconhece Luiz Maia. O professor de economia da Faculdade Boa Viagem (FBV) Antônio Pessoa destaca que o casal deve levantar toda a situação financeira conjunta, inclusive a patrimonial.
Quem fica com a casa? Antes da briga começar, é preciso lembrar que o seguro, a manutenção, o IPTU e outras despesas terão de ser bancadas com apenas uma renda. Quem ficar com o imóvel pode ter de comprar a parte do ex-cônjuge. Se um financiamento ainda estiver sendo pago, é preciso tirar o que falta do valor total do imóvel. Dependendo do caso, a melhor alternativa pode ser repassar o bem e dividir o dinheiro da sobra. O mesmo vale para o carro.
“Outra coisa que deve ser observada são as dívidas. É melhor fazer a renegociação logo”, alerta Antônio Pessoa. O bom senso pede que todas as dívidas sejam compartilhadas. Mas aquilo que alguém pagou só é só dela (pelo menos na teoria). Também não devem ser deixadas para depois as contas conjuntas, os talões de cheque, os cartões. Tudo tem de ser encerrado ou devolvido o mais rapidamente possível.
“A pessoa precisa interromper todos os contratos financeiros e tentar começar do zero. Às vezes, opta por mudar de banco, ter um cartão com limite menor”, diz Luiz Maia. Mas nem tudo deve ser interrompido, especialmente se o casal tem filhos. Quem fica com os rebentos normalmente passa a ter despesas maiores. Em um mundo ideal e civilizado, a outra parte deve procurar saber o peso desses custos para que tudo seja dividido.
Planejamento
Divórcio novo, vida nova, com planejamento. Não tem mistério. O recém-divorciado, seja homem ou mulher, com filhos ou sem filhos, deve montar um novo orçamento. As recomendações são as mesmas: anotar todas as despesas, incluindo aquelas com lazer. “É um perfil de gasto diferente, haverá novas demandas”, lembra Maia. Também será preciso montar uma nova reserva de emergência e reforçar os investimentos.
Para quem pensa em jogar tudo para o alto como a personagem de Julia Roberts em Comer, Rezar, Amar, existe uma diferença entre cinema e realidade. Embora o filme tenha se baseado em uma história real, convenhamos que é meio difícil comer aquele monte de macarrão e pizza na Itália e continuar com o corpo da Julia Roberts. Ou ir até Bali e encontrar um Javier Bardem para chamar de seu.
* Matéria publicada na edição de 23/01 do Diario de Pernambuco




