Fabio Portela

Compreender os juros compostos é essencial para investir bem

Compreender os juros compostos é essencial para investir bem


Boa parte das pessoas sabe que os juros compostos são importantes para a construção de patrimônio no longo prazo. Mas o que muita gente não sabe é como eles funcionam. E é um conceito matemático bastante simples, cuja compreensão ajuda a colocar em perspectiva a decisão de investir. Afinal, para quem não conhece a lógica dos juros compostos, ganhar 8% ou 9% de juros em um ano não parece ser lá grande coisa… e aí acaba não fazendo muito sentido investir. Mas, para quem conhece os juros compostos, esses 8% ou 9% podem fazer uma grande diferença.

Entender o conceito de juros compostos é fácil. Vamos começar com um exemplo: imagine que João tem R$ 10.000,00 e decide investir o dinheiro em uma aplicação financeira que rende 9% ao ano. Ao final do primeiro ano, ele tem em sua conta R$ 10.900,00. Se ele resgatasse o rendimento (os R$ 900,00) de sua aplicação e, no ano que vem, obtivesse a mesma rentabilidade, João teria rendimento calculado em juros simples. Ou seja, a cada ano, ele receberia o mesmo rendimento (os mesmos R$ 900,00).

Mas João é esperto:  ele sabe que, se ao invés de resgatar os rendimentos a cada ano, ele deixá-los em sua conta, no próximo ano terá rendimentos adicionais. Afinal, os 9% de juros incidirão, do segundo ano em diante, não apenas sobre o capital inicialmente investido, mas também sobre os juros que foram pagos no ano anterior. Isso significa dizer que os juros recebidos gerarão mais juros… veja o gráfico a seguir para entender esse processo e a diferença entre os juros simples e os juros compostos:

Juros

Essa tabela retrata o que aconteceria se João deixasse seus R$ 10.000,00 investidos em uma aplicação financeira que rendesse 9% ao ano. Em azul, está retratada a sua evolução patrimonial caso ele decidisse resgatar, a cada ano, os rendimentos obtidos. Em verde, o gráfico retrata o que aconteceria caso ele deixasse os rendimentos investidos e recebesse juros compostos. O resultado? Uma clara vantagem para os juros compostos: seus R$ 10.000,00 teriam se transformado em R$ 121.721,82 (seu investimento teria se multiplicado por 11!), contra R$ 36.100,00 dos juros simples (multiplicação por 2,6 vezes).

Para compreender direito como os juros compostos funcionam e porque uma rentabilidade como essa foi possível, é importante decompô-lo em suas variáveis: montante aplicado, taxa juros e tempo de aplicação. Esse é um ponto importante: quanto maior for qualquer uma dessas variáveis, maior será o patrimônio construído.

No exemplo retratado no gráfico, é possível verificar o efeito do tempo na construção de juros compostos. Os R$ 10.000,00 demoraram 16 anos para resultar em R$ 36.424,00, mas apenas mais 14 anos para render R$ 121.721,82. Ou seja, a cada ano, o montante acumulado cresce cada vez mais, apesar da taxa de juros ser essencialmente a mesma.

O efeito da variável “montante” também é fácil de ser percebido. Se você tem R$ 10.000,00 investido nas condições do exemplo, terá R$ 121.721,82 em 30 anos. Mas, com R$ 100.000,00, teria aproximadamente R$ 1.217.000. É por isso que é muito importante economizar a cada mês um pouquinho do que se recebe: ao proceder dessa maneira, você está manipulando a variável “montante” a seu favor, garantindo uma maior probabilidade de seu patrimônio gerar bons frutos no futuro.

Por fim, a variável “taxa de juros”. Quanto maior a taxa de juros, melhor. Vejamos o seguinte gráfico:

Juros1

No gráfico, está a situação dos R$ 10.000,00 investidos por João a três taxas de juros diferentes: 9% (azul), 12% (verde) e 15% (amarelo) ao ano, por 30 anos. Uma diferença pequena como essa, de 3% para cada faixa de rentabilidade, é capaz de gerar resultados significativamente díspares. Investido o montante à taxa de 9% ao ano, o investidor teria recebido os famosos R$ 121.721,82 que já conhecíamos. À taxa de 12% ao ano, João já receberia mais do que o dobro (R$ 267.499,30); e à taxa de 15% ao ano, já receberia R$ 575.754,54. Na mal para quem começou com R$ 10.000,00 e não investiu um único centavo desde então, concorda?

É por isso que um investidor deve procurar sempre ter em sua carteira de investimentos uma parcela alocada em ações. Se em períodos como o dos últimos anos elas trazem retornos sofríveis, em períodos de bonança elas podem impulsionar bastante os resultados de uma carteira, incrementando a sua taxa de juros compostos e aumentando a probabilidade de, no longo prazo, obter resultados expressivos.

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