Se o capitalismo morreu, ainda não acharam o corpo para o enterro. Essa frase foi cunhada no dia hoje no mercado para mostrar a extensão da bagunça que se formou na Europa. Na medida em que o mundo começava a acreditar que o continente já havia aparado as arestas de ódios e sectarismos históricos, quando em 1º de janeiro em 2002, o euro tornou-se uma realidade física, na maior modificação monetária da história, os velhos pesadelos parecem serem resgatados do passado, desta vez pela a economia.
Após a Alemanha decidir pela proibição da venda a descoberto, começam aparecer os prós e contras. A Comissão Europeia condenou o ato afirmando que a medida deveria ser tomada em conjunto, após consulta a todos os países que integram o bloco. Tanto é que solicitou ao Comitê Europeu de Reguladores das Bolsas de Valores que avalie se os estados-membros da UE devem fazer como a Alemanha e tomar medidas contra a especulação, como a proibição de vendas a descoberto com dívida soberana dos países do euro. No entanto, a atitude alemã despertou aos demais participantes do bloco, que o euro precisa ser salvo. O Banco Central Europeu reiterou que o objetivo da instituição é manter a estabilidade de preços na zona do euro. A posição veio em meio às críticas de que o BCE está contribuindo para alimentar a inflação, com compra de títulos da dívida soberana no mercado secundário.
Se a dor do euro possa continuar por mais tempo que o imaginável, pela falta da descoberta de um antídoto, o que se vê é que as feridas americanas ainda não foram bem curadas. O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos informou hoje que o número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego subiu 25 mil, para 471 mil. O dado veio muito pior do que o esperado. Os economistas previam queda de quatro mil pedidos. O número da semana anterior foi revisado em alta para 446 mil, dos 444 mil informados anteriormente. O dado, que é na atualidade um dos maiores termômetros de crescimento ou enfraquecimento da economia americana, jogou mais um balde de água fria e afundou ainda mais as bolsas mundiais. Se de fato essa for a segunda onda do tsunami de 2008 que quebrou o Lehman Brothers, pode se imaginar que o mundo está passando por uma metamorfose econômica sistêmica e que provavelmente vai atingir novas praias. Restam duas: a da China e dos Brics.





maio 22nd, 2010 at 23:01
Seria o Brasil o Brics?