Beto Veiga

Dividendos e os preços das ações

Publicado por em 26.julho.2010    Tags: , , ,

Dividendos e os preços das ações

Às vezes, queremos atender uma consulta feita no blog de maneira mais detalhada, por achar que determinada pergunta é interessante e que ajudaria muitas pessoas a refletirem melhor sobre as “verdades” e mantras que assombram o nosso cotidiano de investidores, mas nem sempre isso é possível.

No meu caso, especificamente, escrever requer uma vontade muito grande, coisa que sinto nesse momento, mas que, não necessariamente, é constante, perene.

Por esta razão, agradeço a espera dos leitores que submetem alguma pergunta mais complicada, principalmente no que se refere às questões não tão pessoais, como aquelas do tipo: “onde invisto X?”, ou “qual o melhor investimento nesse momento para quem é conservador?”. Note você que são perguntas de formulação simplificada, mas de resposta complexa. Primeiramente porque o nível de informação que eu terei que ter para responder é muito maior do que uma dúvida mais técnica e genérica, isto é, que seja do interesse de um número maior de pessoas. Estas perguntas são subjetivas em princípio, meio e fim. Nascem da necessidade individual e morrem aí.

Por outro lado, o leitor Lincoln, tem um interesse que é subjetivo na origem, mas que me possibilita expandir para o público que me dá a honra da visita.

Ele quer saber sobre a estratégia de investir em ações para obter uma renda de dividendos.

Eu gosto desta estratégia, mas nem tudo é o paraíso. É importante compreender que o preço das ações varia, de modo que os dividendos podem ser bons ao mesmo tempo que o seu capital diminui.

Vou dar um exemplo de algo que aconteceu comigo relativamente a uma ação do setor elétrico. Comprei a ação ao preço de R$ 24,20 no ano passado. Não vi direito quanto recebi de dividendos, mas os sites na Internet que divulgam dados fundamentalistas das ações (veja o Guiainvest, por exemplo), me informam que a taxa de retorno, denominada Dividend Yield, foi de 12%. Supondo que este retorno tenha sido calculado com base na cotação que eu paguei, isto é, os R$ 24,20, teria ganho R$ 2,90.

Parece bom, não é? Mas se eu disser para você que o valor da ação está hoje em R$ 21,00? Certamente você dirá: “perdeu dinheiro!” E eu respondo que sim, você tem razão. Se eu tivesse deixado este dinheiro na Poupança teria mais do que o valor atual e os dividendos recebidos. Mas, como se diz em economia, águas passadas não movem moinhos. Dessa forma, o meu “novo capital”, isto é, a minha fortuna, passou a ser de R$ 22,90 (R$ 21,00 do preço da ação e os R$ 2,90 que recebi de dividendos), quer eu queira ou não. De nada adianta falar “se tivesse feito isso ou aquilo…” Não fiz e pronto, estou com menos do que poderia.

A nossa esperança, por outro lado, é de que as empresas tenham valorização no longo prazo, o que pode não ser uma verdade absoluta, mas tem grande chance de sê-lo. Sendo a profecia realizada (as ações subirão no longo prazo), em breve recuperarei o meu capital inicial e, ainda terei um ganho com os dividendos que vierem.

Em resumo, o pagamento de dividendos pode ser uma boa forma de avaliar as ações, mas não significa a fórmula mágica para o sucesso financeiro. É preciso ter em mente que tais dividendos devem levar em conta também o preço das ações que lhe atribuem o direito de recebê-los (dividendos). Se este preço cair, você pode estar remando contra a correnteza.

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